Entrevista Exclusiva com Kiko Loureiro - Guitarrista do Angra

Setembro 12th, 2007 de Marcelo

kiko4 - Kiko Loureiro
No último dia 18/07 aconteceu o tão esperado Workshop com Marcelo Moreira - produtor e baterista da banda Burning in Hell - e o lendário guitarrista Kiko Loureiro - banda Angra. A equipe de reportagem da Sonkey não deixou passar essa oportunidade e conseguiu uma entrevista exclusiva com esse grande guitarrista. Confira:

Sonkey: Você começou a tocar com 11, chegou a fazer aulas com Mozart Mello e hoje toca na banda Angra. É considerado por várias revistas como o melhor guitarrista do mundo! CURIOSIDADE: Qual foi a sua primeira guitarra?

Kiko: Uma Giannini SG preta. Está exposta no conservatório Sousa Lima, junto a uns instrumentos da galera antiga, e ainda tem essa guitarra. Quando comprei eu tinha 13 pra 14 anos.

Sonkey: E quem te deu essa guitarra?

Kiko: Minha mãe comprou. Eu tava já tocando violão, já estudando legal. Estava com vontade e tipo, ela viu e foi lá. Lembro de tal… Casa Big L’aqua, que rolava lá no centro. Daí a gente escolheu… é uma boa guitarra. Na época tinha umas peças japonesas que a Giannini fazia. O grande lance na época era ter uma Giannini e comprar uns captadores confortáveis. Ficava mais profissional assim. Depois eu tive uma Ibanez, por pouco tempo, que foi minha primeira guitarra gringa. Aí quando fui arrumar a minha Ibanez, que era a mais barata, fui arrumar na Tagima. Conheci o Tagima e já peguei essa K-1 … que não chamava K-1, era aquela guitarra que não tinham feito, modelo diferente. E desde então eu sempre uso Tagima.

Sonkey: Você toca Metal Melódico, Hard Rock, e vários estilos … mas como foi o começo?

Kiko: Comecei tocando violão. O professor que passava umas musiquinhas para violão. Eu tinha uns 12 anos, nem pensava muito em ser roqueiro. Aí eu comecei a ouvir Rock. Aprendendo música clássica com o violão e ouvindo Rock. Aí decidi ir para a guitarra. Estava ouvindo Deep Purple … o que rolava … Scorpions, Black Sabbath, Pink Floyd e Led Zeppelin.

Sonkey: Quando começou a ir para o Melódico?

Kiko: Entre 15 e 16 anos comecei a ir mais a fundo. Teve o Rock’n Rio em 85, eu era moleque. Então teve Iron Maiden. Mas sempre gostei de Queen, de Jazz, um Rock normal, Pop Rock. Mas a guitarra, quando eu comecei, o professor passava especificamente Jimmy Hendrix, Jimmy Page e Van Halen. Meus primeiros dois anos de guitarra eram calcados nos licks dos caras. Comecei a ouvir então muito esses caras: ouvia muito Led Zeppelin, que eu já gostava; Jimmy Hendrix também, que já era um guitarrista antigo na época; e o Van Halen que era o grande lance dos anos sessenta. Eu ouvi muito Van Halen.

Sonkey: Voltando agora um pouco para o Angra … têm uma enorme discografia, entre participações em outros CDS e os discos solos. Qual o disco do Angra que você mais gostou de gravar e qual foi o que deu mais trabalho?

Kiko: Todos. Sempre tem alguma coisa, sempre não é do jeito que você espera, você sempre quer fazer mais. Todos foram na fase de mais ou menos 2 a 3 meses de gravação. Cada um é uma história, porque tem entre dois a três anos de distância de um e outro. Então são fases diferentes da sua vida, que você coloca a maior energia. Um monte de coisas está vivendo, então … de todos você tem que lembrar, não da pra escolher um melhor ou pior.

Sonkey: Você gravou dois CDS solos em 2005: O No Gravity e o Universo Inverso. Como foi? Você gravou todos os instrumentos e só o Terrana gravou a batera … como que foi isso? Saiu da maneira que você esperava?

Kiko: Foram discos que venderam bem, todo mundo gosta, sempre que toco as músicas o pessoal conhece. É um instrumental, mas tem um monte de músicas que o pessoal gostou, uma coisa mais melódica. Tem um monte de coisa de velocidade, mas tem muita música melódica, as músicas todas têm um tema, melodia A, B, como se fosse uma música cantada. Televisão, os caras usam de fundo, Globo Esporte. Fiz muito show com CD, workshop e tal. Vendeu bem aqui no Brasil, no Japão também. Tanto que ano passado ganhou no Japão, melhor disco. E aí foi por causa do Universo Inverso e o disco do Angra. E foi um disco totalmente universo, e isso aí deu uma moral.

Sonkey: Há uma frase no hotsite do Universo Inverso da seguinte forma: “Fixada em linha genética, com todos os seus ritmos, melodias e harmonias desenvolvidos em 500 anos de história e misturas de várias etnias”. Comente …

kiko3 - Workshop Kiko Loureiro
Kiko: Eu que escrevi. Isso aí é por que … quanto mais a gente toca, e a gente viaja pra fora e se depara com outras culturas, você se compara como pessoa, como brasileiro e como músico. E você sente mais a coisa da “brasilidade”. Por mais que seja roqueiro, com um monte de cara americano, inglês tocando Rock. Você vê que eu sempre toco violão, música brasileira, sempre gostei. Então, mesmo tocando Rock você sente que existe toda essa história da nossa cultura que ta ali. Mesmo sem você querer, você tem essa música brasileira, que é o que mais flui, e é o que você tem que pegar e usar. Porque o seu diferencial na hora do “vamo vê”, quando você toca com gringo, pode ser o Steve Vai ou pode ser quem for, se você mandar uma levada que pra gente é tranqüilo, os caras falam “Nossa, como é que faz isso?!”, entendeu? Então, mesmo que você toque um Heavy Metal, você toca de um jeito que os caras não sabem tocar. Então, quanto mais você explorar isso, melhor. Isso é o que? É a mistura que a gente teve na história do Brasil que entrou na nossa cabeça e é a música que a gente ouve hoje, aqui, nesse país. Essa mistura toda.

Sonkey: Qual a mensagem que você deixa para seus fãs aqui de Londrina, do Norte do Paraná, e a moçada que veio ver o Workshop?

Kiko: Muito legal é que muita gente sempre vem e pergunta, os caras tão interessados. É meio o que eu falei no começo: tem muito guitarrista, e todo mundo quer tocar, mas quando o cara decidir que quer realmente ser profissional, tem que ter dedicação. O cara tem que se colocar numa situação que é … viver a música o dia inteiro, seja dando aula, estudando, ouvindo, vendo show, vendo vídeo, tocando, tocando e tocando, sem se preocupar com ter um resultado rápido, porque a música é um negócio que você aprende com muita técnica. A técnica é uma coisa que você pode se dedicar, respeitando o que você está tocando. Mas você começar a ter o controle sobre a música pra compor, pra fazer, pra ter um bom timbre … são muitos anos. É uma coisa constante, em que o cara não pode ter a preocupação em tocar pra bem em poucos anos. Mas muitas horas de dedicação, senão … Mas o cara sabe, é questão de fazer. Ter

kiko1 - Workshop Kiko Loureiro
coragem. Ter coragem de as vezes deixar algumas coisas de lado pra você tocar. Ter coragem de dizer “não” pra uma viagem, dizer não pra sair com a namorada, tudo em prol da música, em prol de um resultado. E se espelhar nos músicos que fizeram sucesso. Se espelhar nos esportistas, como os atletas do Pan agora. Você pegar a vida dos caras. Os caras que são medalhistas passam o dia inteiro se esforçando, treinar muitas horas por dia … Agora eu treino menos, mas eu vivo música bastante. Estou sempre ouvindo, estudando, com o instrumento na mão, de alguma forma. Tô estudando violão agora, tô estudando piano, sempre envolvido com música. Por isso que eu não digo “a guitarra” especificamente, é mais a música em geral. A guitarra ta ligada, conectada com a música …

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